Olimpíadas e Conduta

Em poucos dias começam as Olimpíadas Rio 2016. Há grande expectativa quanto à realização dos jogos, principalmente pelos brasileiros. Existe uma mistura de sentimentos na população; estamos todos apreensivos quanto a nossa política, economia, trabalho e sonhos.

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Realmente, parece que tínhamos ganho na loteria e depois gastamos tudo. Agora, estamos pobres e alguém tem que ser culpado. E parece que vai sobrar para os Jogos Olímpicos.

Há pessoas que estão torcendo contra, escutamos as mais diferentes explicações: desemprego, corrupção, gastos públicos desnecessários, funcionários sem receber, obras pela cidade, valor dos ingressos, mais fiscalização nos aeroportos, ruas que serão fechadas, em tudo tem alguém pra reclamar.

Porém, existe o outro lado, os que gostam dos esportes, do entretenimento, turismo, negócios, dinheiro que vai ser despejado na economia e no intercambio cultural, consolidação do Brasil no cenário mundial, legados no transporte, segurança, tecnologia, educação e cultura, etc.

E você de que lado está?

Assim como numa empresa, o evento olímpico demonstra toda a desenvoltura administrativa de nossos gestores (prefeito, secretários e agentes): a capacidade de gerenciar os conflitos entre as entidades, organizar milhares de atletas, turistas, equipes de TV e comitivas políticas, propor melhorias na cidade, no transito em toda a sua infraestrutura, fazer o acompanhamento das obras, entre muitas outras atribuições. Atividades estas, que são bem complexas e exigem muito de todas as pessoas envolvidas.

Contudo, hoje, gostaria de tratar da mentalidade social/cultural da nossa sociedade e não das dificuldades de gestão de grandes eventos. Quero refletir na forma como tratamos certos temas ou como nos engajamos e nos relacionamos com os projetos dos outros, sejam eles profissionais, pessoais ou sociais.

Quantas vezes vemos colegas não agindo em favor da coletividade, ou aqueles que só criticam e não desenvolvem nada dentro da empresa, nem mesmo uma sugestão de melhoria, ou ainda, os que simplesmente não querem que o seu bem-estar seja afetado por qualquer modificação em suas rotinas, até mesmo as que serão beneficiadas diretamente pela mudança; pessoas que jogam contra o sucesso de um projeto!

Sabemos que sempre vão existir pessoas assim contra ou a favor de algo. É normal! Contudo, temos que entender que nossa opinião e bem estar não devem estar acima do todo ou da coletividade, bem como precisamos amadurecer e aprender que, para se alcançar certos objetivos, muitas vezes, precisamos passar por desconfortos, como o que estamos passando com as obras no Rio de Janeiro.

image - olimp 11Também não estou aqui para defender governos e projetos problemáticos, apenas quero separar os atos ilícitos dos governantes das evidentes melhorias para o Rio de Janeiro.

Critico a nossa cultura de achar que se parte não está boa é porque o todo é ruim, ou se você não é contra é porque é a favor.

Numa empresa ou nas Olimpíadas a minha reflexão é semelhante: confundimos as coisas, pensando, por exemplo, que a nossa desgraça político-econômica advém dos gastos com as Olimpíadas. Temos que separar as coisas. Em relação ao que é má gestão, roubo, superfaturamento, favorecimento e corrupção, devemos julgar os culpados. Mas, deixemos o resto livre para as oportunas avaliações.

É como não torcer para o seu time, porque você não gosta de algum jogador, técnico ou dirigente! Ou aquele história do marido que pega a mulher com o amante no sofá e resolve o problema jogando o sofá fora. Temos que fiscalizar, reivindicar, trabalhar, buscar soluções para os nossos problemas de forma inteligente e não negando os benefícios do evento ou porque no país tal é diferente.

Outro dia, eu li uma postagem bem humorada sobre a “grama do vizinho”, que era mais ou menos assim:

 

“Com a maturidade,

descobrimos que a grama do vizinho,

que sempre era mais verdinha,

na verdade é de plástico”

 

Todos os lugares têm problemas, uns mais e outros menos: em alguns temos fome, doenças e desgraças naturais; em outros, economias estagnadas, desemprego ou corrupção; já em outros, drogas, baixa natalidade, fanatismos ou criminalidade; há também países que tem terrorismo, guerras, racismos e por aí vão as mazelas humanas.

Ou como disse o prefeito do Rio: “Não venham aqui esperando Chicago, Nova York ou Londres. Comparem o Rio com o Rio”

Com as Olimpíadas, temos a oportunidade, mais uma vez, de mostrar nossas qualidades, nosso potencial, revelar a nossa capacidade como cidade e país, no turismo, transporte, segurança, culinária, cultura,  negócios e como pessoas em nossas diferentes áreas de atuação. Não vamos generalizar, não nos coloquemos como incapazes, incompetentes ou no mesmo “saco” dos corruptos. Dou a sugestão de mostrarmos um país em construção, um país que acredita que pode ser melhor do que alguns problemas estruturais; que já evoluímos e ainda temos muito para evoluir.

Bandeira do Brasil 1

Sei que nossos políticos não ajudam nessa mobilização, de acreditar que podemos ser melhores do que somos. É difícil separar as coisas boas diante de tantas, fraudes, descasos e ilegalidades. Mas como disse antes, julguemos os culpados.

É a hora de torcer para dar tudo certo, temos que pensar que existiram pessoas, como nós, a frente dos trabalhos, dos projetos, e sem falar, dos atletasmuitos se dedicaram e se esforçaram para fazer desse evento, uma celebração mundial. Qual outro evento consegue mobilizar tantas pessoas assim?

sucesso profissional 3


É tempo de colher o que plantamos, seja bom, ruim, razoável, excepcional.  Enfim teremos o lugar que nos cabe frente ao mundo e a história, assim como a colocação de um atleta no seu esporte.

 

Na vida empresarial ou social devemos aprender a criticar e a nos relacionar com o todo, entendendo que um projeto não tem só benefícios e que a avaliação tem que ser ampla e não apenas considerando as partes ruins ou boas.

Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

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Marcello Torres

(Consultor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

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