Planejamento Familiar ou Pessoal (parte 3)

Capítulo 3 – Ferramentas Financeiras

Nessa terceira parte, trataremos especificamente das questões mais palpáveis: as ferramentas financeiras e como utilizá-las.

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Aproveito para relembrar que no primeiro capítulo falamos sobre a relação entre Bem Estar e Equilíbrio Financeiro, onde exploramos a forma de como EQUILIBRAR essa relação. Já no segundo capítulo, tratamos das premissas (regras) básicas para cada situação econômica. Dessa forma, podemos utilizar as ferramentas de forma mais fundamentada.

Abaixo, segue a primeira sugestão financeira, o relatório de prioridades. Apresento esse relatório, que é mais uma lista de prioridades, exatamente para que tenhamos um parâmetro, uma diretriz na hora de aplicarmos os recursos financeiros. Se você não sabe o que quer, o que precisa, ou por onde caminhar, provavelmente você se perderá no caminho. Esse relatório tem apenas a função de escalonar as importâncias.

 

Relatório de Prioridades

Consiste em uma relação, na qual estabeleceremos a ordem de importância, necessidade, recorrência dos gastos. Ressalto, que não adianta se enganar. Despesas como “mercado” vão sempre acontecer, são recorrentes. Logo, não adianta colocá-las antes das despesas da “reforma da cozinha”, por exemplo.

 

(Gastos Fixos – recorrentes) Exemplo:
1 – _______________ 1 – moradia (aluguel ou financiamento)
2 – _______________ 2 – luz, água, condomínio (consumo)
3 – _______________ 3 – outros

 

(Gastos Variáveis – não correntes) Exemplo:
4 – _______________ 4 – beleza e vestuário
5 – _______________ 5 – lazer (passeios, viagens, etc.)
6 – _______________ 6 – outros

 

pf33A finalidade dessa lista é você estabelecer o que é prioridade pra você e sua família, sem verificar valores nesse primeiro momento. É fundamental que você avalie a importância de cada item.

 

Ressalto, que essa lista deve ser feita uma única vez, no início do ano ou quando você tiver algum grande projeto em mente, como mudar de cidade ou emprego, nascimento dos filhos ou comprar uma casa.

Essa lista vai apenas servir de norteador na hora que você começar a montar seu relatório financeiro mensal.

 

Relatório Financeiro

pf25Existem diversos modelos de relatórios para acompanhamento financeiro, escolha o que você tiver mais facilidade de entender. Recomendo para quem está começando ou para quem não quer ter muito trabalho e ficar horas controlando as despesas, que busque algo simples, assim como o demonstrado abaixo.

Talvez, eu possa fazer uma única sugestão mais criteriosa, para que se escolha um relatório que tenha um campo para a previsão dos gastos e outro para o gasto realizado, exatamente, para se verificar a consistência das prioridades listadas. Não basta você somente anotar o gasto, você deve saber/acompanhar se está atingindo seus objetivos.

 

Previsto Realizado
Saldo Inicial 100,00 100,00
Entradas 3.000,00 3.000,00
Salário A 1.000,00 1.000,00
Salário B 2.000,00 2.000,00
Outros 0,00 0,00
Saídas 2.900,00 3.100,00
Moradia 1.000,00 1.000,00
Consumo 450,00 500,00
Mercado 500,00 600,00
Formação 600,00 600,00
Beleza e Vest. 200,00 200,00
Lazer 150,00 200,00
Resultado 100,00 -100,00
Poupança 100,00 -100,00
Resultado + Poupança 200,00 0,00

Por que a minha sugestão de Relatório Financeiro é com duas colunas: previsto e realizado?

Exatamente, porque quero demonstrar basicamente três pontos:

 

a)Demonstrar a diferença entre o que se pretende atingir e o que realmente é atingido;

 b) Demonstrar aonde foram alocados os seus recursos financeiros;

 c) Servir como ferramenta de revisão. Isto é, ser mais criterioso com os gastos de determinado grupo.

 

O problema de demonstrar as diferenças entre a ideia e a prática é que normalmente as pessoas acabam tendo que lidar com as suas frustrações, pois pensam que não gastam muito, são sempre remetidas a pensar que ganham pouco. Pode até ser verdade, mas nesse caso, teremos que voltar ao 1° capítulo e nos perguntar, será que consigo ganhar mais?

Contudo, quem consegue superar essa primeira fase da análise financeira, provavelmente, perceberá facilmente onde os recursos estão sendo alocados de maneira diferente da planejada. Tente olhar para os números como fatos, não tente argumentar o gasto, tentando provar para si mesmo que aquilo ocorreu por um fato ou outro.

Daí, caímos no terceiro ponto, o relatório tem que servir como revisão. Você tem que utilizá-lo para alguma coisa. Caso contrário pra que serviria? Ao se verificar que um determinado grupo consumiu mais que o previsto, temos que tentar normalizá-lo, seja compensando em outras áreas ou mesmo buscando soluções de rigidez.

pf37Outro fato que acontece com frequência e que considero pertinente fazermos um comentário, porque pode ocorrer com você: anotar somente as despesas principais e ao final do relatório verificar um saldo na planilha totalmente diferente do saldo bancário. Se isso ocorrer, não se assuste! Provavelmente, foi esquecido de registrar alguma despesa. Por isso, inclusive, eu aconselho os aplicativos financeiros para celular, pois podemos anotar os gastos em tempo real, no momento do gasto e ter um acompanhamento mais preciso.

Para resumir o terceiro capítulo, essas ferramentas são úteis apenas se nós as utilizarmos para alguma finalidade. Relembrando a proposta do curso, desde o seu início, o planejamento familiar tem a finalidade de utilizar as Finanças como um meio e não como fim, servindo-se das ferramentas e regras para ajudar no bem estar pessoal ou familiar.

 

— — —

 

 

Conclusão

 

Chegamos ao final desse minicurso sobre Planejamento Familiar ou Pessoal. Ao longo desses três capítulos discorremos sobre: equilíbrio financeiro, premissas financeiras e ferramentas financeiras.

A relevância de abordar este tema é que ele faz parte do nosso dia a dia. Apenas, procuramos apresentá-lo de uma forma diferente, tentando relacioná-lo com a felicidade e bem estar de cada um, até por que, para que serve o dinheiro, senão para nos servir?

Nunca foi nossa pretensão com esse trabalho, definir o que é ou não prioridade para cada pessoa ou dizer qual perfil ou maneira de administrar é a melhor. Pelo contrário, a cada momento procuramos orientar  o(a) leitor(a) a se questionar/indagar interiormente sobre qual seria da melhor forma de gerir suas finanças, deixando que a própria pessoa encontre sua resposta, a partir da proposta de relacionar equilíbrio financeiro e felicidade.

Contudo, se faz necessário uma reflexão sempre mais profunda por parte do(a) leitor(a) da sua condição de: produtor, administrador e beneficiário do dinheiro.

Em outras palavras, o relacionamento com as riquezas e dívidas, desejos e necessidades são únicas, individuais e singulares.  No entanto, através das premissas expostas, se consegue vislumbrar que, mesmo como gestores do próprio bem estar, existem regras intrínsecas às finanças, como: o resultado = entradas – saídas.

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Portanto, o resultado é reflexo direto da maneira como nos relacionamos com o dinheiro.

Procuramos, assim, desmitificar a ideia deturpada de que a riqueza é igual à ganância ou ilicitude, ou o inverso, que a pobreza é resultado do sistema, governo ou capitalismo. A responsabilidade que se deve ter com o dinheiro, é tão importante como a responsabilidade que se deve ter com o próprio bem estar ou da sua família.

 

 

Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

https://br.linkedin.com/in/marcello-torres

Planejamento Familiar ou Pessoal (parte 2)

Capítulo 2 – Premissas Financeiras

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Como vimos na 1ª parte, as finanças, familiar ou pessoal, estão muito associadas ao bem estar de cada um. Já sabemos que os números seguem uma equação: Entradas – Saídas = Resultado. Esse resultado, tenta demonstrar o equilíbrio financeiro e para os mais metafóricos fazer uma representação do nosso bem estar como pessoa ou família. Verificamos que a teoria financeira apresenta apenas dois caminhos: aumentar receitas ou diminuir gastos, concomitantemente a isso, uma relação de causa e efeito entre o esforço feito para a obtenção dos resultados e a sensação de bem estar – felicidade.

Embora, este último aspecto seja menos palpável, pois pode variar de um indivíduo para outro. Entretanto, podemos dizer, ainda que de forma não tão precisa, que essa relação e inexorável e que o desafio que este conjunto de temas se propõe é sistematizar e disponibilizar ferramentas e mecanismos para aprendermos a equilibrar esses fatores.

Nesse segundo capítulo (parte 2), tratarei do aspecto do planejamento financeiro, das premissas que devem ser observadas na confecção das finanças, pessoal ou familiar.

Não quero tratar, ou abrir discussão, da importância, necessidade ou desejo que cada um, apenas cito algumas regras e de como podemos planejar financeiramente seguindo alguns princípios básicos de finanças pessoais. Ressalto, que aprofundarei cada grupo de regras abaixo em artigos futuros.

 

Regras básicas

 

1) Viver com o que se ganha. (se quer gastar mais, tem que ganhar mais);

2) Nunca faça empréstimo acima da sua capacidade de pagamento;

3) Nunca deixe de honrar seus compromissos – sempre pague as contas;

4) Nunca considerar que no futuro você vai ter mais dinheiro;

5) Sempre poupe – ter reservas financeiras é fundamental para emergências.

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Essas regras são para aquelas pessoas que não querem ter planilhas ou não querem fazer um acompanhamento periódicos dos gastos. Não é o que recomendo, mas se seguir essas regras dificilmente terá problemas financeiros.

 

 

Regras secundárias

 

6) Defina o que é Necessidade e Desejo;

7) Acompanhe suas despesas (mensalmente);

8) Empréstimos ou Financiamentos devem ser feitos de forma planejada e sempre com planos sustentáveis;

9) Se você consegue poupar, mantenha suas reservas em ativos seguros;

10) Ter metas pode ser um grande estímulo para lidar com dinheiro (obedecer o orçamento vai ajudar).

 

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Sei que essas regras são mais trabalhosas, porém apresentam os melhores resultados. Já reparou que as pessoas que não controlam suas finanças são enroladas financeiramente e que, normalmente,as pessoas que tem bons resultados financeiros controlam seus gastos?

 

Se você conseguir estabelecer as suas prioridades, inclusive quantificando em números (metas), montar uma planilha financeira e acompanhar os seus gastos para saber se está cumprindo o seu orçamento ou se está alocando os seus recursos de forma errada, poderá corrigi-los.

 

 

Regras para consumidores descontrolados ou compulsivos

 

1) Não tenha cartões de créditos, cheque especial e não pegue empréstimos;

2) Não ande com dinheiro, cheque ou cartões na bolsa;

3) Pague primeiro as despesas de maior importância, como as de maior juros e depois  as de necessidades básicas, como: moradia, luz, água, etc. Depois se, sobrar, você pode comprar uma roupa ou fazer um lanche.

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É importante se reconhecer, se você sabe que não resiste a uma promoção. A melhor maneira de não cair em tentação é não ter as ferramentas para comprá-las.

 

 

Regras para recuperação financeira

 

1) Liquide os Empréstimos (se for possível);

2) Negocie ou substitua os empréstimos com taxa de juros menor;

3) Se você tiver algum bem que possa ser vendido, como um carro, para saudar as dívidas o faça;

4) corte os gastos com lazer e outros que não sejam de primeira necessidade.

 

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Lembre-se que essa austeridade financeira é por um período, exatamente para que se volte ao equilíbrio o mais rápido possível. Não veja como regras para a vida inteira. Lembre-se também, que esses sacrifícios são necessários no presente, porque no passado não se quis estabelecer equilíbrio entre ganhos e despesas.

 

Uma vez, entendidas essas premissas (regras), acredito que qualquer um seja capaz de montar seu planejamento sem grandes dificuldades. Podemos até dizer que eles serão intuitivos ou lógicos.

Entretanto, após mais de 10 anos trabalhando nessa área, afirmo que a maior dificuldade das pessoas não está nos métodos de controle e regras financeiras; está mais relacionada com a educação, cultura, personalidade e forma de construção do raciocínio. Quem nunca se deixou levar por uma propaganda? Comprou algo que não precisava apenas porque estava em na promoção? Quem já comprou algo que sabia que não tinha dinheiro pra pagar e depois pensaria em como pagaria? Quem já entrou no cheque especial?  E poderia fazer muitas outras perguntas, não é verdade?

O aspecto da relação entre Felicidade x Gasto é muito forte nas culturas capitalistas. Infelizmente, não nos sentimos felizes se não consumirmos algo. Por isso é importante se reconhecer financeiramente, além de consolidar algumas regras financeiras na mente, dependendo logicamente, do grupo financeiro em que você esteja num determinado momento.

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Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

https://br.linkedin.com/in/marcello-torres

 

 

 

Planejamento Familiar ou Pessoal

 

A seguir, teremos uma série de três capítulos tratando sobre o planejamento familiar ou pessoal. Tentei resumir ao máximo as ideias e trazer de forma fácil e prática o tema. Espero que apreciem e criem novos mecanismos de controle e bem estar.

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Capítulo 1 – Relação entre Felicidade x Equilíbrio Financeiro

Embora me pareça um assunto muito batido e com fácil acesso. Muitos colegas, amigos e familiares tem me pedido para escrever sobre planejamento financeiro, familiar ou orçamento pessoal.

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Eu sempre digo que todo mundo sabe o que deve ser feito. É igual a perder peso ou fazer uma dieta, todo mundo sabe que tem que comer de forma equilibrada e fazer exercícios físicos. O difícil é fazer, não é verdade?

Mas atendendo aos pedidos, abordemos o tema…

Existem diversos modelos e formas de gerir os resultados, todos pretendem nos ajudar a chegar ao equilíbrio financeiro e ter uma referência de ganho ou perda. Seja qual for, não existe modelo ideal, mas todos seguem o mesmo critério básico:

 ENTRADAS         –              SAÍDAS                                                =             RESULTADO
 CALORIAS           –              DIETA/EXERC. FÍSICOS                    =             RESULTADO
 SALÁRIOS           –              GASTOS                                              =             RESULTADO

A forma geral que a administração financeira pessoal ou familiar busca é o resultado/equilíbrio, sempre obedecendo a relação entre as entradas e saídas, assim como na dieta, que fiz a analogia. A vida é cheia dessas relações: na química, física, biologia e, nesse caso, nas finanças.

E para que buscarmos esse equilíbrio? Qual a finalidade?

O objetivo final dessa relação deve ser sempre alcançar o bem estar – a felicidade.

Em outras palavras, o resultado financeiro reflete a maneira como nós nos relacionamos com o dinheiro e, mais que isso, como a nossa felicidade depende de quanto se ganha ou do quanto se gasta.

Esse é o princípio de tudo! É a regra básica!Os caminhos são: gastar menos ou ganhar mais.

Vamos à prática/questionamentos:

 

1) Será que consigo ganhar mais?

2) Será que eu vou ser feliz ganhando mais?

3) Será que consigo consumir menos?

4) Será que eu consigo ser feliz gastando menos?

 

1) Será que consigo ganhar mais?

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A pergunta é bem complicada de se responder por algumas restrições: tempo, habilidades, recursos, conhecimentos, etc. Não basta querer ganhar mais, sempre há uma causa e um efeito;  não basta falar que o fato vai acontecer, obrigatoriamente, temos que nos propor ao mesmo.

 

As possibilidades de aumento da receita são infinitas. Posso citar várias: fazer hora extra, dar aula particular, fazer um curso de aprimoramento profissional e batalhar um aumento de cargo no emprego, estudar para concursos públicos, fazer serviços artesanais para comercializar, ser representante comercial de perfumes e maquiagem nas horas vagas, entre outras coisas. Acrescento ainda sobre este item: ganhar mais é sempre possível, porém exigirá bastante de suas habilidades, para atuar em áreas que, normalmente, são desconhecidas. Existem também os complicadores de tempo, cansaço para exercer outras atividades, sacrifício pessoal de abrir mão do lazer, com amigos e familiares.

Provavelmente, essa primeira pergunta é a mais difícil de ser respondida/executada, pois há inúmeros fatores que podem interferir nessa idéia, como: a pessoa não ter um mínimo para um investimento inicial, seja para a compra de um material para o artesanato ou mesmo para um curso de aprofundamento. Contudo, não deixa de ser um fator relevante para o equilíbrio das finanças pessoais ou familiares.

 

2) Será que eu vou ser feliz ganhando mais?

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Seguindo a mesma linha de raciocínio, sendo possível aumentar a renda, vou ser feliz tendo outra atividade, ou tendo que estudar mais ou abrindo mão das minhas viagens e passeios?

Essa pergunta só você mesmo poderá responder. Tem pessoas que tem mais facilidade ou aptidões para lidar com múltiplas tarefas ou mesmo gostam, por exemplo, de constantemente estudar e se aprofundar na área de atuação. O importante é se conhecer e saber o que é mais importante para a sua vida. Quem disse que para ser feliz é necessário ganhar muito ou mais?

É bem comum escutarmos nossos amigos falarem que ganham pouco ou que mereciam ganhar mais. Contudo existem outras pessoas que são absolutamente felizes ganhando 1 salário, por exemplo. Como também, existem pessoas que ganhavam muito bem e abrem mão de um salário robusto para ter paz e tranqüilidade em suas vidas.

Esse item é mesmo muito pessoal. É complicado generalizarmos ou estabelecermos formulações sobre o que é felicidade ou bem estar para um determinado indivíduo, até porque isso se altera freqüentemente durante a vida de qualquer um.

Na verdade, o objetivo dessa segunda pergunta é fazer uma indagação sobre uma possível escolha de aumentar os ganhos pessoais. Em outras palavras, Vale a pena?

 

3) Será que consigo consumir menos?

Este é o item que eu particularmente considero mais fácil e o que mais indico aos interessados em finanças pessoais e familiares a utilizarem. Primeiro, porque você pode poupar em diversas áreas. Segundo, porque um grande percentual dos gastos pessoais são realizados sem planejamento.

Antes de continuar, acrescento, que nada aqui é regra, apenas sugestões de economias, que separadas ou combinadas podem, trazer grandes efeitos sobre seus resultados.

Comparo novamente as finanças com uma dieta: tem umas mais restritivas que outras e nem tudo é adequado a todo tipo de pessoa. Cada caso é um caso. Para alguns, apenas cortar o açúcar já devolve o equilíbrio ao corpo, já outros precisam fazer grandes restrições para alcançar o peso desejado. Gosto muito dessa comparação com a alimentação, pois acredito ser  apropriada e até me parece que estamos falando de uma única e mesma questão. Assim, na alimentação existem diversos alimentos que não acrescentam nada a dieta de um indivíduo e que poderiam ser consumidos com menos intensidade ou substituídos.

Brincadeiras a parte, trago a reflexão a nossa maneira de lidar com o dinheiro e o gasto.

Não quero tratar da importância, necessidade ou desejo de cada um, apenas cito alguns exemplos de como podemos economizar:

– compras a vista – ir a mercados mais baratos
– não deixar luzes e aparelhos ligados – substituir a “mensalista” por “diarista”
– trocar a TV a cabo por “Net Flix” – locomoção (carro x trans. público)
– chuveiro elétrico pelo a gás – almoçar em casa ao invés da rua
– a academia por exercícios ao ar livre – substituir o lanche do cinema (lazer)
– troca de aparelhos elétricos mais econômicos. – negociar planos: telefonia, internet e TV

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Tudo isso ajuda no equilíbrio financeiro. Às vezes, as pessoas acham que é impossível economizar e com medidas corriqueiras, como as citadas, você já consegue economias absurdas, principalmente, se as mesmas foram combinadas. Outras pessoas, simplesmente desconhecem a possibilidade dessas economias, porque não calculam. Mas, elas existem e podem ser muito representativas.

Podemos refletir ainda sobre outros benefícios, como trocar os alimentados processados por outros mais saudáveis (frutas e verduras), essa economia não melhorará apenas o bolso, mas também a saúde. Gasto é igual açúcar e sal, sempre que se puder dar uma diminuída é bom.

Não quero dizer que essas coisas são dispensáveis ou menos importantes que outras. Eu as destaco, como exemplos simples, do cotidiano; coisas que podem ser substituídas, sem necessariamente serem eliminadas do bem estar, ou, ainda, poderem ser utilizadas em outras áreas. Quanto mais criatividade melhor.

E reparem que, muitas vezes, os benefícios não são apenas financeiros. Hoje, se fala tanto em sustentabilidade: reaproveitamento das coisas, evitar os desperdícios, etc. No entanto, medidas que poderiam ser habituais, muitas vezes, são desprezadas por falta de atenção e cuidado por nós mesmos.

 

4) Será que eu consigo ser feliz gastando menos?

Sei que para algumas pessoas a relação de felicidade x consumo está muito associada. Sei também que nem todas foram educadas a poupar ou mesmo acostumadas a se relacionar com as finanças. Muitas só vão ter um contato mais profundo com o dinheiro depois dos 20 anos, quando começam a trabalhar e gerir seus ganhos. Há também os que sempre consumiram determinados produtos desde a infância e deixar de usar tal produto é algo muito estranho e complicado.

Muitos dos meus clientes me consideram exagerado, restritivo, conservador, etc. Infelizmente, quando sou contratado a situação já está muito ruim. É muito complicado você estabelecer uma boa relação de bem estar com as finanças quando já está devendo 10 vezes mais que o seu faturamento. Numa situação dessa, não tem jeito, as restrições e os sacrifícios vão ser sempre maiores. Contudo, esses sacrifícios são grandes no presente, porque no passado não se quis estabelecer equilíbrio entre os ganhos e despesas. Mas esse artigo não está tratando de casos mais extremos, que serão tratados em futuros artigos.

Para exemplificar, vamos pensar na internet pra as crianças atuais. Com certeza, no futuro, 99% dessas crianças serão consumidoras, que dificilmente deixarão de consumir esse produto, apenas porque sempre o tiveram, porque cresceram com ele e não estão acostumadas a viver sem ele. Na verdade, acho que nem passará pela cabeça delas não ter um serviço de internet, enquanto para meus avós isso era totalmente dispensável.  Posso citar outro exemplo que é bem normal para algumas pessoas, como meu pai: só toma banho frio, isto é, ele não precisa de aquecedor ou chuveiro elétrico, já outras sofrem quando o chuveiro elétrico queima.

Percebem a relação entre a restrição e felicidade (bem estar)?

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Para uns pode ser muito fácil poupar em certas áreas e para outros não. Fato é que isso pode ser totalmente inverso dependo de qual “bem estar” vai ser restringido. A dica que dou para quem quiser buscar o equilíbrio consumindo menos é se conhecer, estabelecer prioridades e ser fiel ao seu próprio planejamento.

Assim como vimos na 2ª pergunta, o objetivo dela é fazer uma indagação sobre uma possível escolha de redução de gastos pessoais. Em outras palavras, Vale a pena? Eu terei benefícios se eu economizar ou cortar certos gastos?

Resumidamente, aprendemos que as finanças obedecem uma formulação lógica de Entradas – Saídas = Resultado. E que essa equação tem a finalidade de representar o nosso bem estar como pessoa e família. Também é preciso se conscientizar de que existem apenas dois caminhos básicos a serem percorridos: aumentar receita ou diminuir despesas. Sobretudo, faz-se necessário ir além do conceito, aprofundar se o aumento da receita e/ou a diminuição da despesa impacta sua felicidade. O maior desafio é saber equilibrar esses fatores, pois não adianta se esforçar mais para aumentar os ganhos ou diminuir as despesas e ser infeliz.

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Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

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