Planejamento Familiar ou Pessoal (parte 3)

Capítulo 3 – Ferramentas Financeiras

Nessa terceira parte, trataremos especificamente das questões mais palpáveis: as ferramentas financeiras e como utilizá-las.

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Aproveito para relembrar que no primeiro capítulo falamos sobre a relação entre Bem Estar e Equilíbrio Financeiro, onde exploramos a forma de como EQUILIBRAR essa relação. Já no segundo capítulo, tratamos das premissas (regras) básicas para cada situação econômica. Dessa forma, podemos utilizar as ferramentas de forma mais fundamentada.

Abaixo, segue a primeira sugestão financeira, o relatório de prioridades. Apresento esse relatório, que é mais uma lista de prioridades, exatamente para que tenhamos um parâmetro, uma diretriz na hora de aplicarmos os recursos financeiros. Se você não sabe o que quer, o que precisa, ou por onde caminhar, provavelmente você se perderá no caminho. Esse relatório tem apenas a função de escalonar as importâncias.

 

Relatório de Prioridades

Consiste em uma relação, na qual estabeleceremos a ordem de importância, necessidade, recorrência dos gastos. Ressalto, que não adianta se enganar. Despesas como “mercado” vão sempre acontecer, são recorrentes. Logo, não adianta colocá-las antes das despesas da “reforma da cozinha”, por exemplo.

 

(Gastos Fixos – recorrentes) Exemplo:
1 – _______________ 1 – moradia (aluguel ou financiamento)
2 – _______________ 2 – luz, água, condomínio (consumo)
3 – _______________ 3 – outros

 

(Gastos Variáveis – não correntes) Exemplo:
4 – _______________ 4 – beleza e vestuário
5 – _______________ 5 – lazer (passeios, viagens, etc.)
6 – _______________ 6 – outros

 

pf33A finalidade dessa lista é você estabelecer o que é prioridade pra você e sua família, sem verificar valores nesse primeiro momento. É fundamental que você avalie a importância de cada item.

 

Ressalto, que essa lista deve ser feita uma única vez, no início do ano ou quando você tiver algum grande projeto em mente, como mudar de cidade ou emprego, nascimento dos filhos ou comprar uma casa.

Essa lista vai apenas servir de norteador na hora que você começar a montar seu relatório financeiro mensal.

 

Relatório Financeiro

pf25Existem diversos modelos de relatórios para acompanhamento financeiro, escolha o que você tiver mais facilidade de entender. Recomendo para quem está começando ou para quem não quer ter muito trabalho e ficar horas controlando as despesas, que busque algo simples, assim como o demonstrado abaixo.

Talvez, eu possa fazer uma única sugestão mais criteriosa, para que se escolha um relatório que tenha um campo para a previsão dos gastos e outro para o gasto realizado, exatamente, para se verificar a consistência das prioridades listadas. Não basta você somente anotar o gasto, você deve saber/acompanhar se está atingindo seus objetivos.

 

Previsto Realizado
Saldo Inicial 100,00 100,00
Entradas 3.000,00 3.000,00
Salário A 1.000,00 1.000,00
Salário B 2.000,00 2.000,00
Outros 0,00 0,00
Saídas 2.900,00 3.100,00
Moradia 1.000,00 1.000,00
Consumo 450,00 500,00
Mercado 500,00 600,00
Formação 600,00 600,00
Beleza e Vest. 200,00 200,00
Lazer 150,00 200,00
Resultado 100,00 -100,00
Poupança 100,00 -100,00
Resultado + Poupança 200,00 0,00

Por que a minha sugestão de Relatório Financeiro é com duas colunas: previsto e realizado?

Exatamente, porque quero demonstrar basicamente três pontos:

 

a)Demonstrar a diferença entre o que se pretende atingir e o que realmente é atingido;

 b) Demonstrar aonde foram alocados os seus recursos financeiros;

 c) Servir como ferramenta de revisão. Isto é, ser mais criterioso com os gastos de determinado grupo.

 

O problema de demonstrar as diferenças entre a ideia e a prática é que normalmente as pessoas acabam tendo que lidar com as suas frustrações, pois pensam que não gastam muito, são sempre remetidas a pensar que ganham pouco. Pode até ser verdade, mas nesse caso, teremos que voltar ao 1° capítulo e nos perguntar, será que consigo ganhar mais?

Contudo, quem consegue superar essa primeira fase da análise financeira, provavelmente, perceberá facilmente onde os recursos estão sendo alocados de maneira diferente da planejada. Tente olhar para os números como fatos, não tente argumentar o gasto, tentando provar para si mesmo que aquilo ocorreu por um fato ou outro.

Daí, caímos no terceiro ponto, o relatório tem que servir como revisão. Você tem que utilizá-lo para alguma coisa. Caso contrário pra que serviria? Ao se verificar que um determinado grupo consumiu mais que o previsto, temos que tentar normalizá-lo, seja compensando em outras áreas ou mesmo buscando soluções de rigidez.

pf37Outro fato que acontece com frequência e que considero pertinente fazermos um comentário, porque pode ocorrer com você: anotar somente as despesas principais e ao final do relatório verificar um saldo na planilha totalmente diferente do saldo bancário. Se isso ocorrer, não se assuste! Provavelmente, foi esquecido de registrar alguma despesa. Por isso, inclusive, eu aconselho os aplicativos financeiros para celular, pois podemos anotar os gastos em tempo real, no momento do gasto e ter um acompanhamento mais preciso.

Para resumir o terceiro capítulo, essas ferramentas são úteis apenas se nós as utilizarmos para alguma finalidade. Relembrando a proposta do curso, desde o seu início, o planejamento familiar tem a finalidade de utilizar as Finanças como um meio e não como fim, servindo-se das ferramentas e regras para ajudar no bem estar pessoal ou familiar.

 

— — —

 

 

Conclusão

 

Chegamos ao final desse minicurso sobre Planejamento Familiar ou Pessoal. Ao longo desses três capítulos discorremos sobre: equilíbrio financeiro, premissas financeiras e ferramentas financeiras.

A relevância de abordar este tema é que ele faz parte do nosso dia a dia. Apenas, procuramos apresentá-lo de uma forma diferente, tentando relacioná-lo com a felicidade e bem estar de cada um, até por que, para que serve o dinheiro, senão para nos servir?

Nunca foi nossa pretensão com esse trabalho, definir o que é ou não prioridade para cada pessoa ou dizer qual perfil ou maneira de administrar é a melhor. Pelo contrário, a cada momento procuramos orientar  o(a) leitor(a) a se questionar/indagar interiormente sobre qual seria da melhor forma de gerir suas finanças, deixando que a própria pessoa encontre sua resposta, a partir da proposta de relacionar equilíbrio financeiro e felicidade.

Contudo, se faz necessário uma reflexão sempre mais profunda por parte do(a) leitor(a) da sua condição de: produtor, administrador e beneficiário do dinheiro.

Em outras palavras, o relacionamento com as riquezas e dívidas, desejos e necessidades são únicas, individuais e singulares.  No entanto, através das premissas expostas, se consegue vislumbrar que, mesmo como gestores do próprio bem estar, existem regras intrínsecas às finanças, como: o resultado = entradas – saídas.

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Portanto, o resultado é reflexo direto da maneira como nos relacionamos com o dinheiro.

Procuramos, assim, desmitificar a ideia deturpada de que a riqueza é igual à ganância ou ilicitude, ou o inverso, que a pobreza é resultado do sistema, governo ou capitalismo. A responsabilidade que se deve ter com o dinheiro, é tão importante como a responsabilidade que se deve ter com o próprio bem estar ou da sua família.

 

 

Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

https://br.linkedin.com/in/marcello-torres

Planejamento Familiar ou Pessoal (parte 2)

Capítulo 2 – Premissas Financeiras

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Como vimos na 1ª parte, as finanças, familiar ou pessoal, estão muito associadas ao bem estar de cada um. Já sabemos que os números seguem uma equação: Entradas – Saídas = Resultado. Esse resultado, tenta demonstrar o equilíbrio financeiro e para os mais metafóricos fazer uma representação do nosso bem estar como pessoa ou família. Verificamos que a teoria financeira apresenta apenas dois caminhos: aumentar receitas ou diminuir gastos, concomitantemente a isso, uma relação de causa e efeito entre o esforço feito para a obtenção dos resultados e a sensação de bem estar – felicidade.

Embora, este último aspecto seja menos palpável, pois pode variar de um indivíduo para outro. Entretanto, podemos dizer, ainda que de forma não tão precisa, que essa relação e inexorável e que o desafio que este conjunto de temas se propõe é sistematizar e disponibilizar ferramentas e mecanismos para aprendermos a equilibrar esses fatores.

Nesse segundo capítulo (parte 2), tratarei do aspecto do planejamento financeiro, das premissas que devem ser observadas na confecção das finanças, pessoal ou familiar.

Não quero tratar, ou abrir discussão, da importância, necessidade ou desejo que cada um, apenas cito algumas regras e de como podemos planejar financeiramente seguindo alguns princípios básicos de finanças pessoais. Ressalto, que aprofundarei cada grupo de regras abaixo em artigos futuros.

 

Regras básicas

 

1) Viver com o que se ganha. (se quer gastar mais, tem que ganhar mais);

2) Nunca faça empréstimo acima da sua capacidade de pagamento;

3) Nunca deixe de honrar seus compromissos – sempre pague as contas;

4) Nunca considerar que no futuro você vai ter mais dinheiro;

5) Sempre poupe – ter reservas financeiras é fundamental para emergências.

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Essas regras são para aquelas pessoas que não querem ter planilhas ou não querem fazer um acompanhamento periódicos dos gastos. Não é o que recomendo, mas se seguir essas regras dificilmente terá problemas financeiros.

 

 

Regras secundárias

 

6) Defina o que é Necessidade e Desejo;

7) Acompanhe suas despesas (mensalmente);

8) Empréstimos ou Financiamentos devem ser feitos de forma planejada e sempre com planos sustentáveis;

9) Se você consegue poupar, mantenha suas reservas em ativos seguros;

10) Ter metas pode ser um grande estímulo para lidar com dinheiro (obedecer o orçamento vai ajudar).

 

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Sei que essas regras são mais trabalhosas, porém apresentam os melhores resultados. Já reparou que as pessoas que não controlam suas finanças são enroladas financeiramente e que, normalmente,as pessoas que tem bons resultados financeiros controlam seus gastos?

 

Se você conseguir estabelecer as suas prioridades, inclusive quantificando em números (metas), montar uma planilha financeira e acompanhar os seus gastos para saber se está cumprindo o seu orçamento ou se está alocando os seus recursos de forma errada, poderá corrigi-los.

 

 

Regras para consumidores descontrolados ou compulsivos

 

1) Não tenha cartões de créditos, cheque especial e não pegue empréstimos;

2) Não ande com dinheiro, cheque ou cartões na bolsa;

3) Pague primeiro as despesas de maior importância, como as de maior juros e depois  as de necessidades básicas, como: moradia, luz, água, etc. Depois se, sobrar, você pode comprar uma roupa ou fazer um lanche.

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É importante se reconhecer, se você sabe que não resiste a uma promoção. A melhor maneira de não cair em tentação é não ter as ferramentas para comprá-las.

 

 

Regras para recuperação financeira

 

1) Liquide os Empréstimos (se for possível);

2) Negocie ou substitua os empréstimos com taxa de juros menor;

3) Se você tiver algum bem que possa ser vendido, como um carro, para saudar as dívidas o faça;

4) corte os gastos com lazer e outros que não sejam de primeira necessidade.

 

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Lembre-se que essa austeridade financeira é por um período, exatamente para que se volte ao equilíbrio o mais rápido possível. Não veja como regras para a vida inteira. Lembre-se também, que esses sacrifícios são necessários no presente, porque no passado não se quis estabelecer equilíbrio entre ganhos e despesas.

 

Uma vez, entendidas essas premissas (regras), acredito que qualquer um seja capaz de montar seu planejamento sem grandes dificuldades. Podemos até dizer que eles serão intuitivos ou lógicos.

Entretanto, após mais de 10 anos trabalhando nessa área, afirmo que a maior dificuldade das pessoas não está nos métodos de controle e regras financeiras; está mais relacionada com a educação, cultura, personalidade e forma de construção do raciocínio. Quem nunca se deixou levar por uma propaganda? Comprou algo que não precisava apenas porque estava em na promoção? Quem já comprou algo que sabia que não tinha dinheiro pra pagar e depois pensaria em como pagaria? Quem já entrou no cheque especial?  E poderia fazer muitas outras perguntas, não é verdade?

O aspecto da relação entre Felicidade x Gasto é muito forte nas culturas capitalistas. Infelizmente, não nos sentimos felizes se não consumirmos algo. Por isso é importante se reconhecer financeiramente, além de consolidar algumas regras financeiras na mente, dependendo logicamente, do grupo financeiro em que você esteja num determinado momento.

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Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

_____________

Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

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Planejamento Familiar ou Pessoal

 

A seguir, teremos uma série de três capítulos tratando sobre o planejamento familiar ou pessoal. Tentei resumir ao máximo as ideias e trazer de forma fácil e prática o tema. Espero que apreciem e criem novos mecanismos de controle e bem estar.

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Capítulo 1 – Relação entre Felicidade x Equilíbrio Financeiro

Embora me pareça um assunto muito batido e com fácil acesso. Muitos colegas, amigos e familiares tem me pedido para escrever sobre planejamento financeiro, familiar ou orçamento pessoal.

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Eu sempre digo que todo mundo sabe o que deve ser feito. É igual a perder peso ou fazer uma dieta, todo mundo sabe que tem que comer de forma equilibrada e fazer exercícios físicos. O difícil é fazer, não é verdade?

Mas atendendo aos pedidos, abordemos o tema…

Existem diversos modelos e formas de gerir os resultados, todos pretendem nos ajudar a chegar ao equilíbrio financeiro e ter uma referência de ganho ou perda. Seja qual for, não existe modelo ideal, mas todos seguem o mesmo critério básico:

 ENTRADAS         –              SAÍDAS                                                =             RESULTADO
 CALORIAS           –              DIETA/EXERC. FÍSICOS                    =             RESULTADO
 SALÁRIOS           –              GASTOS                                              =             RESULTADO

A forma geral que a administração financeira pessoal ou familiar busca é o resultado/equilíbrio, sempre obedecendo a relação entre as entradas e saídas, assim como na dieta, que fiz a analogia. A vida é cheia dessas relações: na química, física, biologia e, nesse caso, nas finanças.

E para que buscarmos esse equilíbrio? Qual a finalidade?

O objetivo final dessa relação deve ser sempre alcançar o bem estar – a felicidade.

Em outras palavras, o resultado financeiro reflete a maneira como nós nos relacionamos com o dinheiro e, mais que isso, como a nossa felicidade depende de quanto se ganha ou do quanto se gasta.

Esse é o princípio de tudo! É a regra básica!Os caminhos são: gastar menos ou ganhar mais.

Vamos à prática/questionamentos:

 

1) Será que consigo ganhar mais?

2) Será que eu vou ser feliz ganhando mais?

3) Será que consigo consumir menos?

4) Será que eu consigo ser feliz gastando menos?

 

1) Será que consigo ganhar mais?

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A pergunta é bem complicada de se responder por algumas restrições: tempo, habilidades, recursos, conhecimentos, etc. Não basta querer ganhar mais, sempre há uma causa e um efeito;  não basta falar que o fato vai acontecer, obrigatoriamente, temos que nos propor ao mesmo.

 

As possibilidades de aumento da receita são infinitas. Posso citar várias: fazer hora extra, dar aula particular, fazer um curso de aprimoramento profissional e batalhar um aumento de cargo no emprego, estudar para concursos públicos, fazer serviços artesanais para comercializar, ser representante comercial de perfumes e maquiagem nas horas vagas, entre outras coisas. Acrescento ainda sobre este item: ganhar mais é sempre possível, porém exigirá bastante de suas habilidades, para atuar em áreas que, normalmente, são desconhecidas. Existem também os complicadores de tempo, cansaço para exercer outras atividades, sacrifício pessoal de abrir mão do lazer, com amigos e familiares.

Provavelmente, essa primeira pergunta é a mais difícil de ser respondida/executada, pois há inúmeros fatores que podem interferir nessa idéia, como: a pessoa não ter um mínimo para um investimento inicial, seja para a compra de um material para o artesanato ou mesmo para um curso de aprofundamento. Contudo, não deixa de ser um fator relevante para o equilíbrio das finanças pessoais ou familiares.

 

2) Será que eu vou ser feliz ganhando mais?

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Seguindo a mesma linha de raciocínio, sendo possível aumentar a renda, vou ser feliz tendo outra atividade, ou tendo que estudar mais ou abrindo mão das minhas viagens e passeios?

Essa pergunta só você mesmo poderá responder. Tem pessoas que tem mais facilidade ou aptidões para lidar com múltiplas tarefas ou mesmo gostam, por exemplo, de constantemente estudar e se aprofundar na área de atuação. O importante é se conhecer e saber o que é mais importante para a sua vida. Quem disse que para ser feliz é necessário ganhar muito ou mais?

É bem comum escutarmos nossos amigos falarem que ganham pouco ou que mereciam ganhar mais. Contudo existem outras pessoas que são absolutamente felizes ganhando 1 salário, por exemplo. Como também, existem pessoas que ganhavam muito bem e abrem mão de um salário robusto para ter paz e tranqüilidade em suas vidas.

Esse item é mesmo muito pessoal. É complicado generalizarmos ou estabelecermos formulações sobre o que é felicidade ou bem estar para um determinado indivíduo, até porque isso se altera freqüentemente durante a vida de qualquer um.

Na verdade, o objetivo dessa segunda pergunta é fazer uma indagação sobre uma possível escolha de aumentar os ganhos pessoais. Em outras palavras, Vale a pena?

 

3) Será que consigo consumir menos?

Este é o item que eu particularmente considero mais fácil e o que mais indico aos interessados em finanças pessoais e familiares a utilizarem. Primeiro, porque você pode poupar em diversas áreas. Segundo, porque um grande percentual dos gastos pessoais são realizados sem planejamento.

Antes de continuar, acrescento, que nada aqui é regra, apenas sugestões de economias, que separadas ou combinadas podem, trazer grandes efeitos sobre seus resultados.

Comparo novamente as finanças com uma dieta: tem umas mais restritivas que outras e nem tudo é adequado a todo tipo de pessoa. Cada caso é um caso. Para alguns, apenas cortar o açúcar já devolve o equilíbrio ao corpo, já outros precisam fazer grandes restrições para alcançar o peso desejado. Gosto muito dessa comparação com a alimentação, pois acredito ser  apropriada e até me parece que estamos falando de uma única e mesma questão. Assim, na alimentação existem diversos alimentos que não acrescentam nada a dieta de um indivíduo e que poderiam ser consumidos com menos intensidade ou substituídos.

Brincadeiras a parte, trago a reflexão a nossa maneira de lidar com o dinheiro e o gasto.

Não quero tratar da importância, necessidade ou desejo de cada um, apenas cito alguns exemplos de como podemos economizar:

– compras a vista – ir a mercados mais baratos
– não deixar luzes e aparelhos ligados – substituir a “mensalista” por “diarista”
– trocar a TV a cabo por “Net Flix” – locomoção (carro x trans. público)
– chuveiro elétrico pelo a gás – almoçar em casa ao invés da rua
– a academia por exercícios ao ar livre – substituir o lanche do cinema (lazer)
– troca de aparelhos elétricos mais econômicos. – negociar planos: telefonia, internet e TV

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Tudo isso ajuda no equilíbrio financeiro. Às vezes, as pessoas acham que é impossível economizar e com medidas corriqueiras, como as citadas, você já consegue economias absurdas, principalmente, se as mesmas foram combinadas. Outras pessoas, simplesmente desconhecem a possibilidade dessas economias, porque não calculam. Mas, elas existem e podem ser muito representativas.

Podemos refletir ainda sobre outros benefícios, como trocar os alimentados processados por outros mais saudáveis (frutas e verduras), essa economia não melhorará apenas o bolso, mas também a saúde. Gasto é igual açúcar e sal, sempre que se puder dar uma diminuída é bom.

Não quero dizer que essas coisas são dispensáveis ou menos importantes que outras. Eu as destaco, como exemplos simples, do cotidiano; coisas que podem ser substituídas, sem necessariamente serem eliminadas do bem estar, ou, ainda, poderem ser utilizadas em outras áreas. Quanto mais criatividade melhor.

E reparem que, muitas vezes, os benefícios não são apenas financeiros. Hoje, se fala tanto em sustentabilidade: reaproveitamento das coisas, evitar os desperdícios, etc. No entanto, medidas que poderiam ser habituais, muitas vezes, são desprezadas por falta de atenção e cuidado por nós mesmos.

 

4) Será que eu consigo ser feliz gastando menos?

Sei que para algumas pessoas a relação de felicidade x consumo está muito associada. Sei também que nem todas foram educadas a poupar ou mesmo acostumadas a se relacionar com as finanças. Muitas só vão ter um contato mais profundo com o dinheiro depois dos 20 anos, quando começam a trabalhar e gerir seus ganhos. Há também os que sempre consumiram determinados produtos desde a infância e deixar de usar tal produto é algo muito estranho e complicado.

Muitos dos meus clientes me consideram exagerado, restritivo, conservador, etc. Infelizmente, quando sou contratado a situação já está muito ruim. É muito complicado você estabelecer uma boa relação de bem estar com as finanças quando já está devendo 10 vezes mais que o seu faturamento. Numa situação dessa, não tem jeito, as restrições e os sacrifícios vão ser sempre maiores. Contudo, esses sacrifícios são grandes no presente, porque no passado não se quis estabelecer equilíbrio entre os ganhos e despesas. Mas esse artigo não está tratando de casos mais extremos, que serão tratados em futuros artigos.

Para exemplificar, vamos pensar na internet pra as crianças atuais. Com certeza, no futuro, 99% dessas crianças serão consumidoras, que dificilmente deixarão de consumir esse produto, apenas porque sempre o tiveram, porque cresceram com ele e não estão acostumadas a viver sem ele. Na verdade, acho que nem passará pela cabeça delas não ter um serviço de internet, enquanto para meus avós isso era totalmente dispensável.  Posso citar outro exemplo que é bem normal para algumas pessoas, como meu pai: só toma banho frio, isto é, ele não precisa de aquecedor ou chuveiro elétrico, já outras sofrem quando o chuveiro elétrico queima.

Percebem a relação entre a restrição e felicidade (bem estar)?

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Para uns pode ser muito fácil poupar em certas áreas e para outros não. Fato é que isso pode ser totalmente inverso dependo de qual “bem estar” vai ser restringido. A dica que dou para quem quiser buscar o equilíbrio consumindo menos é se conhecer, estabelecer prioridades e ser fiel ao seu próprio planejamento.

Assim como vimos na 2ª pergunta, o objetivo dela é fazer uma indagação sobre uma possível escolha de redução de gastos pessoais. Em outras palavras, Vale a pena? Eu terei benefícios se eu economizar ou cortar certos gastos?

Resumidamente, aprendemos que as finanças obedecem uma formulação lógica de Entradas – Saídas = Resultado. E que essa equação tem a finalidade de representar o nosso bem estar como pessoa e família. Também é preciso se conscientizar de que existem apenas dois caminhos básicos a serem percorridos: aumentar receita ou diminuir despesas. Sobretudo, faz-se necessário ir além do conceito, aprofundar se o aumento da receita e/ou a diminuição da despesa impacta sua felicidade. O maior desafio é saber equilibrar esses fatores, pois não adianta se esforçar mais para aumentar os ganhos ou diminuir as despesas e ser infeliz.

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Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

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Redução de Custos ou Eficiência Operacional?

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Muitas empresas tem tido problemas no último ano. A situação econômica do Brasil não está nada fácil. Temos sido procurados por diversas empresas com o intuito de reduzir os custos, seja para renegociar os contratos ou para uma revisão de processos.

Diante disso, resolvi compartilhar esse tema com vocês, pois acredito que muitos estejam igualmente preocupados e buscando alternativas. Então, compartilho essas experiências e trocas.

Há alguns anos, podíamos arriscar mais em nossas estratégias, tínhamos crédito abundante, era possível gastar mais com funcionários e projetos, colocar qualquer preço nos produtos que estes eram totalmente demandado, entre outras coisas. Porém, agora, estamos frente a um cenário bem mais complicado e competitivo. Pelo que tenho percebido, a necessidade desses clientes e empresas é sobreviver e passar pela crise da melhor forma possível – o que é muito inteligente e válido.

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Outro dia, estava assistindo um jogo de vôlei na TV e um time estava com uma vantagem boa de pontos sobre o seu oponente, devido a isso, eles estavam sacando mais forte e se arriscando mais nas jogadas, porque estavam confortáveis no jogo, em outras palavras podiam errar. Com o desenrolar do jogo, o outro time começou a se aproximar no placar e o jogo ficou mais equilibrado, então o time que estava na frente já não arriscava tanto, porque não tinha mais a vantagem. Com base nesse cenário do jogo, o comentarista falou: “arriscar é fácil quando se pode errar”.

Percebi que essa frase tinha muito a ver, tanto com o momento que o Brasil experimentou há alguns anos, como também, com a situação atual. Antes se podia fazer qualquer coisa, porque tínhamos margem. Agora, estamos trabalhando no limite e não podemos errar ou fazer escolhas muito ousadas que possam levar a perdas maiores.

Mesmo assim, atravessando essa situação desfavorável, temos a oportunidade de buscar soluções. Portanto temos tentado apresentar aos nossos clientes soluções alternativas, que gosto de chamar de criativas.

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     “Se a vida te dá um limão,

      faça uma limonada!”

Para aprofundar mais esse tema, vou recorrer a outras áreas, mostrando as alternativas criadas para solucionar problemas e que depois se tornaram parte da vida das pessoas, coisas aleatórias como o leite condensado, a cozinha americana ou um simples parafuso. Poderiam ser muitos, muitos mais que esses exemplos basta fazer uma rápida pesquisa na internet para comprovar isso.

Essas ideias são exemplos criados em meio a uma situação de crise, onde se tinha necessidade de transformar espaço, tempo, forma, etc., invenções que trouxeram benefício direto na vida das pessoas.

É sobre esse tema que gostaria de refletir hoje; aprofundar como nós estamos buscando solução para os nossos problemas.

“Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar ‘superado’. Quem atribui à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais os problemas do que as soluções. A verdadeira crise é a crise da incompetência… Sem crise não há desafios; sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um…”   (Albert Einstein)

Como falamos no início, sobreviver a situações extremas é muito válido. Mas como queremos ir além, queremos não só navegar, mais sim, chegar a terras desconhecidas, saber o que está além do horizonte. Convido a todos a pensar de forma diferente, refletir sobre processos, buscar alternativas.

A redução de certos “luxos”, como mudar o escritório para outro local sem vista pro mar; trocar o biscoito recheado pelo de água e sal; colocar uma impressora central, usar papel de rascunho para documentos de menor importância, etc. dá sempre resultado e ajuda a fechar as contas no azul.

Acredito que a gestão vai além. Sabemos que a redução de custos é um dos aspectos que deve ser observado, mas não é o único. Existem alternativas que podem gerar muito mais resultado financeiro do que a simples redução de custo. Por exemplo, não dá pra despedir um funcionário e ficar sem ninguém para executar o serviço, ou contratar alguém por menor valor, sem experiência ou que precisará de treinamento. É lógico, que isso não vai dar certo, se desse, os chefes fariam isso fora do cenário de crise, não é verdade?

Então, se ao invés de mandar o funcionário embora déssemos algumas opções:

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  1. “trabalho remoto”, trabalhar de casa poderia economizar alguns reais com transporte e aluguel de espaço.
  2. “carga horária”, redução da jornada de trabalho poderia reduzir custos e melhorar a qualidade de vida dos funcionários.

É verdade que existem pessoas que não aceitam tais condições, por qualquer motivo, mas também existem outras que buscam/esperam essas alternativas: para buscar um filho na escola, fazer um curso, ir para academia, melhorar a qualidade de vida de alguma forma. Até outros aspectos, como melhoria do trânsito nas cidades talvez fosse possível, com medidas como essa.

Aqui no Brasil parece que é obrigatório o trabalho de 8 horas! A carga horária é um item que poderia ser muito explorado na relação trabalhista e, infelizmente, é pouco usada. Da mesma forma, podemos pensar em outras atividades, melhorar o desempenho em determinada função, considerando aspectos relativos a tempo, espaço, bem estar ou produtividade, alem do financeiro.

A reflexão que trago é de vivenciar os conceitos de uma empresa: participar, conhecer, sair da cadeira, conversar com funcionários de outras áreas, pensar em alternativas que possam melhorar o conjunto e não apenas o aspecto financeiro, o financeiro é apenas o reflexo dos atos das pessoas/empresa.

Outra dica, que complementa essa e que pode impulsionar muito a criatividade é a junção de conhecimentos – fusão de áreas. Atualmente estão na moda os aplicativos de celular, bom exemplo de junção de diversas áreas com a área de TI. Tem aplicativo: de finanças, transporte, alimentação, corte de cabelo, etc.

Sei que não é fácil, ter a grande idéia!  Exige inspiração, motivação, vivência. Em muitos casos experimentação, tentativa e erro. E nem sempre o cliente ou nossos superiores estão dispostos a todo esse aparato, principalmente de tempo. Quantas vezes escutamos, “não quero que você perca horas nesse projeto”?

Por isso sugiro que se busquem coisas mais simples, processos do dia a dia.

Processos muitos rebuscados, demorados e cheio de detalhes, normalmente são difíceis dos colaboradores efetuarem de maneira rápida e prática, ou mesmo lembrarem que existem todas aquelas regras e rotinas. Certa vez, ouvi um professor dizer: “se as funções não estiverem expostas em uma única folha, pode ter certeza que as atividades que apresentarem nas folhas seguintes não serão lidas ou no melhor dos casos lembradas”.

Vários líderes repetem uma frase que é quase um mantra: “as soluções estão em coisas simples”. Eu também compartilho dessa idéia. A facilitação dos processos, desde que eles não comprometam a empresa ou gerem riscos, é a melhor forma de se executar um projeto.

Exemplos de procedimentos que podem ser revistos não faltam, pois praticamente tudo é processo. Quando chegamos na empresa e sentamos na frente do computador e o ligamos estamos fazendo um processo. Na hora do almoço, ao escolher um restaurante mais perto, mais barato ou que tenha opções mais saudáveis, também estamos realizando um procedimento, exemplo:

Você precisa cortar o cabelo ou pagar uma conta no banco e dispõe apenas do intervalo para almoço. Logo, você precisa ser ágil e buscar uma solução para seu problema! Você provavelmente escolherá o restaurante mais próximo ou que serve a comida mais rápida, de forma que consiga almoçar e depois cortar o cabelo ou pagar a conta no banco. Essa situação é um caso de crise que passamos todos os dias, e para a maioria das pessoas administrar essa escassez de tempo é uma atividade natural, nós já estamos habituados a isso. Contudo, podemos expandir isso para outras áreas, podemos melhorar a eficiência de qualquer operação. E reparem que não falei em cortar custos!

Da mesma forma, podemos pensar em outras atividades, melhorar o desempenho de qualquer função, seja através da melhoria de tempo, espaço, financeira, bem estar ou produtividade.

Podemos chegar ao mesmo resultado, ou até, a outro melhor, de diferentes formas.

Afirmo que a boa gestão é aquela que consegue superar a crise se reinventando, buscando novos horizontes e tentando achar solução para coisas cotidianas, muitas vezes, nem percebidas no dia a dia como um problema. Também pensar que as situações são antagônicas não é a melhor maneira de resolver os desafios, sempre existe muito mais do que dois caminhos e desafiar-se a encontrar um terceiro ou quarto pode ser o diferencial que você e sua empresa precisam.

Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

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A importância da Gestão Financeira

A gestão financeira é uma área importantíssima na vida empresarial ou pessoal. É a intervenção nos resultados da empresa, considerando-se o aspecto global e não somente o resultado numérico. (Artigo “Gestão Financeira” – 09/07/2016)

Administração financeira é determinante para o sucesso da empresa, pois através dela é que se inicia e se conclui qualquer ciclo operacional. Portanto, é importante que a gestão seja feita de forma cuidadosa, precisa e avaliando impactos. É essencial que as empresas efetuem todos os registros, viabilizando análises, colaborando com o planejamento, aperfeiçoando procedimentos e interferindo nos resultados. No entanto, é comum que as empresas não realizem essa atividade de maneira adequada.

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Nesse artigo, descreverei 10 importâncias da administração financeira, farei algumas considerações e discutirei os principais benefícios que essa área pode trazer, ajudando a atingir os objetivos da empresa.

 

 

1 – Saber se o objetivo está sendo alcançado

(Objetivo x Resultado)

Comecei por esse item por um simples motivo, muitas pessoas trabalham sem objetivo, não sabem o que querem alcançar. Pode parecer estranho, mas tem pessoas/administradores que não sabem o que querem medir no final de um período ou processo. Já vimos que o resultado pode não ser apenas o financeiro, é muito importante lembrar disso, principalmente, para saber o que se quer medir. Um resultado neutro ou muito próximo de zero, pode ter sido um ótimo resultado num ano de crise, por exemplo. Só apuramos um resultado se queremos saber se o nosso objetivo está sendo alcançado, se foi atingido em parte, quanto falta para atingir, o que precisa ser melhorado, entre outras variações. Se o objetivo de um ano de crise é minimizar as perdas, não ter prejuízo pode ser muito bom.

 

2 – Servir de base comparativa com outros períodos

(Registros = história da empresa) 

Outra importância é saber as evoluções entre os períodos. Saber se um ano está melhor do que o outro. Por exemplo, poder comparar a estratégia comercial de 2015 e a de 2014, para saber qual foi melhor e, assim, escolher a melhor forma de atuar, a partir de um histórico do que já deu certo e com a consciência do que a empresa faz bem e do que não faz, etc.

 

3 – Facilitar as negociações com terceiros através de relatórios e demonstrativos

(Relacionamento com terceiros) 

Este item está ligado ao anterior, porém com uma finalidade bem diferente. A importância de se registrar os números também tem função externa. Documentar e ter os números fidedignos não só ajuda nas decisões da empresa internamente, mas também com terceiros, seja para uma parceria comercial, com um investidor ou na hora de tomar um empréstimo junto aos bancos. É através desses números financeiros que vai se demonstrar a viabilidade do projeto; se a empresa tem capacidade de pagar os financiamentos ou se é adequada para desenvolver uma parceria.

 

4 – Saber calcular o preço de venda corretamente

(Formação de preço)

Tenho discutido isso muito com nossos parceiros. É muito comum que as empresas formulem seus preços com base na concorrência. É lógico que a concorrência tem fator muito significativo no preço final, principalmente, quando o mercado em que se atua é muito concorrido, contudo ele não pode ser o único requisito. Em regra geral para formação do preço é necessário calcular/saber custos, despesas, impostos e incluir a margem de lucratividade que se pretende atingir, mas tratarei desse assunto separadamente em artigo específico, futuramente. O que precisamos descrever aqui é a importância de se conhecer e apropriar corretamente os gastos da empresa para formulação do preço final, bem como saber a margem que se pode retirar para reduzir o preço frente à concorrência.

 

5 – Melhor escolha para origens de financiamentos

(Origem de recursos)

Todos nós já aprendemos que os recursos são escassos e as necessidades são infinitas, seja na empresa ou na família. Sabemos calcular rapidamente quanto se têm de recursos e perdemos muito tempo calculando as inúmeras despesas(necessidades). Entretanto, não vamos entrar no mérito das prioridades e necessidades de cada pessoa. Em Finanças, o que se pretende é identificar a melhor origem de recursos para cada situação: capital dos sócios, empréstimos, lucros, etc.

 

6 – Melhor aplicação dos recursos da empresa

(Aplicação de recursos)

A aplicação dos recursos não é muito diferente da origem. Também se deve avaliar e calcular a melhor opção. É importante entender que “melhor opção” é sempre a mais adequada. Por exemplo, aplicar recursos de curto prazo, com origens de recursos de curto prazo. Em outras palavras, é fundamental aplicar corretamente, para a adequada utilização dos recursos financeiros.

 

7 – Acompanhar o “Contas a Pagar e a Receber” – saber o quanto a empresa dispõe

(Fluxo de Caixa)

Essa talvez seja a rotina que a maioria das pessoas esteja mais acostumada, pois faz parte do dia a dia de todos economicamente ativos. Essa rotina, além de auxiliar no controle final para a geração de resultado, também ajuda no acompanhamento dos saldos de caixa; acompanhamento dos recebíveis e controle de cobrança junto aos inadimplentes; auxilia nas negociações de prazos para pagamentos com fornecedores e controla os pagamentos para que sejam feitos no prazo correto; prevê a origem de novos recursos; indica necessidade de empréstimos; e, principalmente, para administração do capital de giro das empresas.

 

8 – Salvaguarda dos recebíveis da empresa

(Crédito e Cobrança)

Outra questão de grande importância, para as empresas, que trabalham essencialmente com crédito e recebimentos de longo prazo, é a avaliação e concessão de crédito aos clientes. Acredito que todos devem entender o risco dessa área. Nessa avaliação, o gestor para de olhar somente para suas finanças e passa a visar os números do cliente, a má gestão do cliente ou uma análise de crédito ruim podem gerar problemas financeiros futuros gravíssimos. O controle desses créditos e, consequentemente, das cobranças devem ser acompanhados e analisados com muita perspicácia.

 

9 – Correta apuração do Valor da Empresa

(Valor da Empresa)

Existem muitas formas de calcular o valor de uma empresa: valor patrimonial, valor futuro, valor da marca, faturamento, capacidade de gerar lucro, entre outros. A grande questão é que todos esses cálculos são feitos sobre bases financeiras e, por esse motivo, é primordial uma boa e fidedigna administração financeira, para que se possa definir adequadamente o valor de uma empresa.

 

10 – Auxiliar na tomada de decisão

(Gestão: planejar, organizar, dirigir e controlar)

É muito importante que na gestão financeira saibamos aonde queremos chegar, além disso, também é necessário saber o quanto dispomos em produtos, no caixa, no estoque, em dívidas, onde e qual a melhor forma de nos capitalizar, etc. Sem essas informações a administração tende ao fracasso. As decisões tem que considerar o todo, tem que ter bases e fundamentos muito bem definidos, para não se perderem no meio do processo de gestão. Digo isso porque a gestão financeira, como qualquer outra parte da administração, envolve a tomada de decisão, envolve a maneira de pensar e agir das pessoas, envolve a forma com que planejamos, organizamos, dirigimos e controlamos nossa empresa/vida.

Neste último item resolvi aprofundar um pouco mais a questão da tomada de decisão, procurando demonstrar que a administração financeira não pode ser uma atividade isolada, que leva em consideração poucos aspectos.

Por isso, optei por exemplificar com um “mini estudo de caso”. Acredito que seja mais fácil o entendimento, por não ficar tão abstrato.

“Uma loja, com o estoque cheio e com uma certa quantia no banco, recebe a ligação de um  fornecedor com uma oportunidade de comprar um lote maior de  mercadoria com um desconto de 20% a vista, esse desconto faria com que a loja pudesse repassar o desconto para os clientes, vantagem sobre a concorrência ou simplesmente aumentar a margem de lucratividade daquele produto.” 

Parece um bom cenário, não é verdade?

Mas reparem que especifiquei algumas informações, como “certa quantia”, “quantidade maior” e “estoque cheio”. Agora, se eu adicionasse à situação os seguintes dados: 

– Estoque da mercadoria igual a 90% (previsão de baixa desse estoque é de 27 dias);

– R$ 10.000,00 no banco;

– Normalmente ele compraria R$ 4.000,00 dessa mercadoria para 1 mês;

– Mas para conseguir o desconto de 20% ele teria que comprar o dobro de mercadoria (R$ 8.000,00)

– Com o desconto de 20%, a mercadoria sairia por R$ 6.400,00;

– Pagamentos para os próximos 3 dias no montante de R$ 7.400,00; 

O que aconteceria?

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Percebam que um cenário que poderia ser favorável, pode se tornar um desastre, com necessidade de um empréstimo, diminuição da capacidade de pagamento, aumento do ciclo operacional e, consequentemente, impactos nos números da empresa.

Compreendam a importância das informações e das análises respectivas (vale dinheiro!).

No caso acima, a compra de mais estoque implicaria num resultado negativo no caixa em dias, o que provavelmente levaria à necessidade de um empréstimo. Também não estou afirmando que se endividar para conseguir esse desconto seja ruim. É possível que se consiga um empréstimo com uma taxa de juros inferior ao desconto, o que geraria um benefício, mas para isso é preciso que se tenha a informação dessa variável. Poderíamos, ainda, incluir outras variáveis, como: outros gestores, departamentos, estratégias empresariais, cultura organizacional, monopólio do fornecedor, etc.

Destaco, exatamente, a importância das informações para a tomada de decisão.

Nesse exemplo, conseguimos demonstrar a importância da administração financeira ao criarmos situações (informações) que se refletiram em diversas tarefas da rotina do administrador, como: fluxo de caixa, ciclo operacional, origem e aplicação dos recursos, lucratividade, etc., abordados de forma unificada para clarificar o quão complexa é a tomada de decisão e como uma simples compra não planejada pode influenciar diretamente no resultado de uma empresa.

Obviamente, o aprofundamento do item sobre a tomada de decisão não ficou por último ao acaso. Dispus dessa forma, para finalizar mostrando a complexidade e responsabilidade da administração financeira e de como ela deve considerar o TODO para a tomada de decisão.

Antes de encerrar, ressalto que existem outros pontos da área de Finanças importantes que não foram abordados nesse artigo: planejamento, orçamento, demonstrações financeiras, etc. Oportunamente iremos aprofundá-los, pois acreditamos que a relevância e abrangência do tema não se esgotam, mas se ampliam a cada nova reflexão.

 

Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

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Gestão Financeira

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A administração financeira é um conjunto de procedimentos que abrangem diversas áreas de um negócio ou das finanças pessoais, é importante que nesse contexto o gestor planeje, calcule, analise e controle suas atividades.

 

 

O objetivo desse esforço é sempre tentar melhorar os resultados de determinado projeto, seja para a modernização de uma unidade fabril ou para uma simples viagem de férias com a família. Entretanto, é muito normal que empresas não façam a gestão dos seus recursos e distribuam seus resultados de uma forma inadequada.

Gestão financeira não é contar os recebimentos e pagar as contas. Muitos se acham bons administradores, porque o caixa está sempre volumoso e com as obrigações em dia. A administração financeira é muito mais que isso. A Gestão é a intervenção nos resultados da empresa!

Não é o fato de você deixar um resultado positivo no caixa, que demonstra um sucesso na gestão, não é porque existe distribuição de dividendos, que faz de você um bom gestor, “até crianças que sabem somar e subtrair”, conseguem calcular que 100 – 70 = 30. O que eu chamo de intervenção é você ser um agente de interferência ou influência nesse resultado, é executar ações que transformem os 30 em 40, por exemplo.

A grande questão da administração financeira é como chegar aos resultados positivos. Podemos abordar isso apenas pelo lucro, mas o gestor de sucesso é aquele que consegue abordar isso de forma ampla, como: crescer estruturadamente, minimizar riscos de perdas e contingências, sem prejuízos a sociedade ou meio ambiente, não macular a imagem da empresa, entre outros. É lógico, que cada empresa, projeto, departamento, processo ou produto tem suas particularidades e também não existe “receita de bolo”, mas posso afirmar que há muito além dos lucros e o gestor capaz é aquele que consegue enxergar tudo isso.

Então, ao contratar um administrador financeiro ou quando você estiver à frente das finanças, pense além, identifique a melhor forma, o melhor resultado de maneira ampla, não adianta crescer 40% num ano e quebrar no ano seguinte.

Até o próximo artigo e administrem com sabedoria!

 

 

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Marcello Torres

(Gestor Financeiro da Wert)

marcello.torres@wert-sc.com.br

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